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terça-feira, 14 de agosto de 2012

Amor eterno, busca e suplicio.


A procuro incansavelmente pelas incontestáveis eras que já se passaram, sempre chego bem próximo a ela, que evapora por entre meus braços de uma maneira que nem me dou conta.

A minha amada que a eras procuro vou tirada de mim de uma maneira cruel, ou pelo menos achei que havia a perdido até tornar-me o que sou hoje.
Em uma noite de verão caminhávamos pelo extenso jardim de seu castelo, nosso casamento estava marcado pra próxima semana. Durante esta agradável caminhada algo nos seguia, e atacou minha amada. Eu não pude fazer nada, sentia-me atado ao gramado, simplesmente não consegui impedi-lo, quando olhei minha amada estava deitada no gramado, próxima aos seus adoráveis lírios. A grama esta meio grudenta, uma poça de sangue havia se formado ali, desesperado a peguei nos braços e corri até seu castelo, onde fui acusado de ter dado fim a vida de minha amada.
Antes que algo acontecesse a deixei ali, com as maças do rosto sem cor, a pele pálida e fria, as pontas dos dedos e lábios arroxeados.

Um ano após sua morte eu achei que havia enlouquecido. Estava morando em uma clareia um pouco distante de onde costumava morar. Em umas das minhas solitárias noites foi que eu a vi pela primeira vez. Ela estava usando um vestido branco, a pele ainda tinha a mesma cor que me lembrava do dia de sua morte, o sorriso era o mesmo, os olhos tinham um tom de âmbar, lembrava-me da ultima vez que os tinha visto abertos, seus lindos olhos em tom esverdeado.

Vê-la ali na minha frente fez-me ficar perdido em lembranças, em sentimentos, em insanidades e desesperos. Pisquei meus olhos inúmeras vezes, queria apagar aquela alucinação de minha mente, queria que a dor acabasse.

- Eu não sou uma alucinação querido, eu estou aqui. Voltei para você meu amado. – A voz doce dela ecoava em minha mente torturando-me. Ela caminhava em minha direção e eu conseguia sentir até o seu perfume, o cheio de flores e mel, o seu aroma de primavera inebriava-me de maneira incontestável, só acreditei que ela realmente estava ali quando senti o toque de sua pele gélida em minha face, as pontas de seus dedos não estavam mais arroxeadas e seu toque permanecia com a mesma maciez de antes.
Meus olhos se fecharam quando seus lábios me tocaram a face e depois a dor veio, as forças se foram. E desde então a procuro.

Hoje entendo que o que ela fez foi somente para me ter junto dela, porem, por algum motivo que desconheço ela não voltou depois de me amaldiçoar.
Esta maldição ao principio era deveras ruim. Mais com o passar das décadas acabei entendendo que ela serviria para que eu reencontrasse a minha amada, pra que eu sobrevivesse somente pra procura-la.
Sempre seguia para onde ela queria, ela me fazia uma espécie de trilha, deixando em alguns lugares um lírio branco e um bilhete. Ela não queria vir até mim, ela queria que eu provasse que iria até o fim do mundo, que a procuraria por eras somente por ama-la. É o que hoje eu faço. Sigo cada pista, horas elas me levam diretamente até ela, que sorri e assim que vou toca-la ela desaparece. Pode parecer loucura, mais não desistirei de tê-la comigo, de desposa-la e de passar a minha eterna vida ao seu lado.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012




 O anoitecer chegou cobrindo a cidade com seu aconchegante véu negro, junto com ele trouxe também o peso e a dor daquela nova vida. As lembranças e a saudade me deixam nostálgica.
Vê-los ao longe antes bastava, agora não mais. Eles creem que não mais me importo, que já não fazem diferença alguma em minha vida, mais eles fazem.
Consigo vê-los sorrir, estão felizes desde que ela voltou e depois de um tempo um pequeno fruto nasceu daquele amor, uma bela menininha de pele bem branca, cabelos cacheados, lembrava-me e muito a mãe, Laís. Claro que alguns dos traços ela herdara do pai, Eddy sempre fora um homem charmoso , isto é algo incontestável. Lunna, este era o nome daquela pequena criança, ela parecia um anjo, mesmo sendo teimosa como a mãe.

 Eddy sofreu anos com a sua ausência, sofria calado, observando o mundo do alto dos prédios, lembrando de quando sua amada havia partido. Ele nunca demostrou seus sentimentos abertamente, mais quando se conhece uma pessoa sabemos traduzir cada expressão, cada olhar triste enviado para o vazio da noite.
Aposto que se ele me visse agora, saberia que estou triste, que sinto a falta deles.
Sinto uma vontade quase incontrolável de ir até eles, de abraça-los, de conhecer Lunna, de deixar ela me conhecer. Mais a ideia de proximidade me assusta, me apavora. Acho que mesmo eles não mais sendo detetives, temo por minha segurança, pela segurança de Calipe.

 Lembro-me de quando meu amado quase fora morto por Eddy, de como quase fomos mortos por conta deste amor proibido. Éramos caça e caçadora, mais isso não foi um empecilho, pareceu ser na verdade um facilitador e um catalisador de sentimentos. Guardando, escondendo aquele sentimento de todos, afinal, como explicar que você esta amando aquilo que deve rastrear, caçar e matar. Como explicar que ama um assassino, um ser que vive em função da morte de outro? Como dizer que por conta daquele amor eu havia virado um ser da noite?
Quando o vi apontando aquela arma pra Calipe tive medo de perde-lo, sabia que Eddy não hesitaria em disparar. Coloquei-me entre a arma e Calipe, se ele atirasse, me mataria também. Foi quando vi Eddy hesitar pela primeira vez. Em todo o tempo que fui detetive sombria nunca havia presenciado tal ato, ele não compreendeu de pronto o porque de eu estar ali, entre ele e o monstro que devia matar e por alguns poucos segundos achei que padeceria com Calipe. Ela interveio, Laís pediu pra que ele nos deixasse ir, que ele não fizesse nada que pudesse vir a se arrepender mais tarde. Ele nós ouviu atentamente e então eu parti.
Não foi possível conter as lagrimas ao me despedir daquela que por tanto tempo considerei minha irmã, sabia a falta que sentiria de Laís, que sentiria dos dois.

 O amor que sinto por Calipe pouco posso explicar, eu sempre o amei, desde o jardim de infância, o sentimento apenas cresceu. Passamos pelo primário, o fundamental e o ensino médio juntos, ele sempre esteve ali ao meu lado. Lembro de quando recebi terrível noticia de sua morte, mal reparei que as circunstancias eram estranhas e que o fato de não terem encontrado seu corpo era ainda mais. Naquela época eu não tinha os conhecimentos que tenho hoje, eu era nova demais, ingênua demais. Sofri tanto com a perda dele que enlouqueci e decidi ir atrás do culpado. Foi quando descobri que nas ruas desta cidade existiam perigos que mais pareciam saídos de um filme de terror.

 Comecei a sair escondido anoite para procurar o culpado pela morte dele, como disse eu era nova e ingênua demais, não conseguia ver os riscos que eu corria.
Eu tinha encontrado uma pista, haviam me dito que ele foi visto saindo de um bar na noite em que morreu, fui até ele, passei a noite inteira olhando de um lado pra outro sem conseguir encontrar nada nem ninguém que pudesse ter informações sobre o ocorrido. Eram quatro da manhã quando deixei o bar, as ruas estavam ainda mais escuras e confesso que o medo começava a apoderar-se da minha razão.
Ao longe um homem me seguia, aprecei-me mais ele conseguiu me alcançar. Aquilo foi horrível. Ele era algo que nunca sonhei em ver na minha vida, o corpo coberto por pelos, os dente eram longos e ele tentava me morder, a lua cheia iluminava o beco ao qual fui arrastando-me para me esconder dele, quando achei que meu fim havia chegado ele apareceu.
Usava um longo sobretudo de couro preto, tinha a pele morena e longos cabelos castanhos, enfrentou aquela criatura estranha com uma agilidade e naturalidade descomunal, parecia ter feito aquilo a vida toda.
Ele olhou pra trás e me analisou e depois se virou para ir embora.

- Ei... Espere! O que era aquela coisa?

- Nada com o que precise se preocupar agora. Vá pra casa garota, esta tarde de mais pra andar sozinha por ai!

- Mais o que era aquilo?

 Acho que ele percebeu que eu não iria embora até que ele me respondesse. Ele estava certo, mais enfim.  Lembrar de como conheci o Eddy me fazia rir, confesso que tornei-me a pedrinha de seus sapatos desde que ele me salvara naquela noite. Eu me colocava em risco somente pra encontra-lo, pra tentar sondar se ele sabia o que realmente havia matado Calipe.
Por fim, acabei sabendo coisas demais e por opção pedi pra que ele me levasse para a academia, queria ser uma detetive das sombras como ele. Queria saber o que havia escondido na noite, queria caçar livremente o que matara o único homem que amei na vida, fiquei por muito tempo sendo movida pela sede de vingança.

 Eddy me treinou, foi paciente e complacente a meus erros, me protegeu nas missões, acabou tornando-se especial. Como um irmão, era a unica família que eu tinha naquela nova fase da minha vida.

 Após um tempo foi quando Laís apareceu no stand de tiros. Eu e Eddy ficávamos muito ali, não porque tínhamos dificuldade em atirar ou algum problema para acertar nossos alvos, ficávamos ali porque era relaxante beber e atirar. Acho que nos fazia esquecer temporariamente os problemas.
Lembro de como o sorriso dela o deixou, Eddy ficou bobo com ela, acho que foi naquele momento que ela ganhou o seu coração e ele mal imaginou que jamais iria esquece-la ou conseguir não sentir saudades dela .

 Após ela receber treinamento adequado foi decidido que eu, ela e o Eddy faríamos uma equipe. O famoso trio dinâmico, era como Eddy nos chamava. E foi em uma das nossas rondas noturnas que meu mundo simplesmente tornou-se um belo caos.
Tínhamos o costume de nos dividir, assim a ronda andava mais rápido e poderíamos ficar um tempo de bobeira olhando para a noite, era o que nos restava para apreciar naquele trabalho.
Eddy ficava encarregado de fazer uma varredura do altos dos prédios, Laís ficava com o norte e eu com o lado sul.
Olhava becos, bares afim de encontrar algo incomum e neste dia encontrei. Estava passando por um dos becos quando o vi, ele estava com um corpo nas mãos, os lábios manchados de sangue, os olhos perdidos em uma tempestade de ódio. Ao vê-lo tive que me esforçar para não cair no chão e começar a chorar.

- Calipe? ...

 Eu mal conseguia dizer seu nome, eu mal consegui acreditar que ele estava vivo e estava ali na minha frente, a dor, angustia voltaram a tomar conta de mim, tinha medo de que aquilo não fosse real.
Ele  abandonou o corpo e limpou os lábios com a manga da jaqueta que usava, ao ver seu rosto contra a claridade do luar eu não tive duvidas de que era ele.

- Calipe! Você...

- Andy? O que esta fazendo aqui? Como me encontrou?

 Explicar tudo a ele foi custoso, até por que ele me assustava um pouco, não deixou de ser carinhoso como sempre fora, mais ele parecia ter raiva de eu ter o visto naquele estado, ele achava que não merecia compaixão. Tecnicamente não merecia, pelas regras eu teria que elimina-lo, mais como faze-lo, afinal eu amava aquele homem, aquele vampiro.
Após meia hora Eddy veio atrás de mim, assim que ele se aproximou Calipe sumiu, mais prometera me encontrar. A dificuldade estaria em mantê-lo seguro, com tantos detetives das sombras pelas ruas.

 Passei a inventar desculpas para me desvencilhar de Eddy e Laís durante as missões, levei muitas advertências mais não me importava mais com aquilo.
Saia da academia escondida, como fazia na adolescência para me encontrar com ele, o deixei a par do que eu havia me tornado e de que não seria fácil permanecer daquela forma por muito tempo.
Dividir o quarto com a Laís tornou complicado devido as minhas diversas mentiras, ela se importava com meu bem estar e queria saber o que estava acontecendo. Disse que eu estava desatenta, desinteressada, o que não era mentira, eu já não era mais tão eficaz. Lembro-me de que a Laís me disse pra tirar férias, a ideia era atraente mais eu sabia que a única coisa que me mantinha sensata naquela situação era o meu dever para com Os Detetives das Sombras. Devido minhas inúmeras falhas fiquei afastada por um tempo das missões e foi ai que sucumbi à ideia de me juntar a Calipe, foi quando pedi a ele para me transformar, não queria mais ficar longe dele e assim deixei a minha estranha família pra trás.

* Esta  é a continuidade de uma historia criada pelo meu amigo Eddy Khaos chamado Detetive das Sombras. Aqui tentei contar um pouco o ponto de vista de Andy ( citada como a Gemea no texto principal).

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011




Lá estava ele. Sentado em sua escrivaninha, olhando fixamente a folha de papel em branco. Na mão uma caneta de tinta preta, a qual costumava utilizar para escrever. Estava um tanto transtornado por sua falta de ideias. Olhou pra pequena mesa ao lado, aonde se encontrava duas taças de vinho meio cheias. Quem sabe um pouco de vinho não clareasse suas ideias? Acender um cigarro também poderia ajudar, não?
Os dedos dançavam insistentemente sobre a escrivaninha, um sinal de que estava ficando mesmo enfurecido com seu bloqueio criativo. Levou a mão livre em direção à pequena mesa. Primeiro sentiu a frieza da taça, depois o toque de dedos gélidos e macios. Virou-se para encarar quem era e sorriu. Era comum para ele receber este tipo de visitas. Claro que nem todas eram agradáveis mais a grande maioria somente queria contar a ele suas historias de vida. Era de onde tirava suas ideias.
Sua visita pegou a outra taça e bebeu um gole do vinho, apreciando-o. Depois olhou para o escritor e sorriu, mostrando a ele seus belos caninos brancos e pontiagudos.
Ele não se assustou, nem mesmo se moveu. Retribuiu o sorriso da mesma e voltou novamente atenção para a folha de papel em branco a sua frente.

- Fique a vontade. Só não quebre nada, por favor. – disse ele distraidamente enquanto rabiscava as bordas da folha.

- Não sou criança pra sair mexendo em tudo. Ficarei aqui o observando escrever. Ou esta sem ideias? – ela parecia um tanto irritada com o fato de ele ter lhe dado ordens.

Fez-se silencio no pequeno escritório. A vampira começava a ficar impaciente. O escritor desanimado, decidiu ouvi-la.

- Bem... A que devo sua visita vampira? - disse ele encarando-a.

- Queria conhecer o escritor que faz com que nossas historias sejam disseminadas por ai! –  ela disse simplesmente.

- Quer contar-me a sua? – disse ele virando-se para manter contato visual enquanto a ouvisse.

- Claro ! Mais lhe aviso que uma passagem de minha historia, pode significar o fim da sua. – e um sorriso maldoso brincou em seus lábios.





Estava em casa naquela noite. Escrevia a história que uma de minhas ultimas visitas havia me contado, quando ouvi certo alvoroço do lado de fora de minha casa. Pessoas gritavam e praguejavam sem parar. Foi quando ouvi batidas desesperadas em minha porta. Foram tão insistentes que a abri e correndo um pequeno vulto foi para trás de meu sofá, fechei a porta e quando vi quem havia entrado correndo era uma criança. Ela chorava sem parar, repetia diversas vezes que não queria morrer e que não tinha culpa de fazer as coisas que fazia. Aproximei-me mais dela a fim de adquirir sua confiança, foi quando vi suas pequenas presas, era uma pequena vampira. Quem teve coragem de fazer isso a uma criança e depois deixa - lá sozinha pra morrer?
Provavelmente ela não sabia o que estava acontecendo consigo, nem mesmo devia saber de forma consciente o que tinha de fazer pra se manter viva.
Ela foi se acalmando depois de conversarmos um pouco, mais ai começaram a bater insistentemente a minha porta, pedindo pra que eu a entregassem. Eles a chamavam de pequeno demônio, mais porque eu não consegui enxergar este demônio nos olhos desesperados daquela criança? - Eu não quero morrer. - ela dizia pra mim abraçando as pernas. - Você vai me entregar a eles não vai? Assim como meu pai e minha mãe fizeram?  - aquele desespero estava tomando conta de mim, odiava ver crianças tristes e amedrontadas. - Como posso deixar uma criatura tão linda como você nas mãos daqueles ignorantes lá fora, vou proteger você querida, mesmo não sabendo o porquê de estar fazendo tal coisa.  – a abracei logo após e comecei a cantarolar musicas infantis a ela, pra que ela não conseguisse ouvir o alvoroço que estava se formando em frente a minha casa. Eu não fazia ideia do porque estava protegendo aquela vampirinha. Mais algo me dizia pra fazer aquilo, parecia certo.
Lembrei-me que minha ultima visitante havia sido uma vampira, se eu conseguisse encontra-la poderia entregar aquela criança a ela, ela saberia melhor lidar com aquela situação.
O alvoroço do lado de fora parou, o que me pareceu bem estranho. Coloquei a pequena vampira em meu sofá e olhei por entre as cortinas o lado de fora. Eles estavam jogando um liquido ao redor da minha casa e um homem de terno preto estava com uma caixa de fósforos em mãos. Queriam nos queimar vivos.